Anticítera Schwarzbrunn Giaur - Lord Byron - Anticítera
Anticítera
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Giaur - Lord Byron

R$ 49,90
Descrição do produto

Quando o Giaur foi publicado, em 1813, inaugurando o ciclo de poemas narrativos que envolvem temáticas do “oriente”, destacando-se a partir de então o herói byroniano, o qual marcaria presença em diversas obras posteriores, como O Morro dos Ventos Uivantes – temática que, diga-se de passagem, seria satirizada anos depois em Beppo e em Don Juan –, enfim, quando essa obra veio a lume, o principal questionamento suscitado foi qual seria a pronúncia correta do título dela.

Para termos noção de como tal questão despertou interesse naqueles tempos, lembremos que Jane Austen, em sua obra Persuasão, escrita por volta de 1816, coloca seus personagens Anne Elliot e Benwick conhecendo-se e falando sobre alguns assuntos literários, até caírem nesse ponto da forma correta da prosódia de Giaur, assunto que já virara clichê.

Byron compôs essa obra logo após ter se tornado celebridade da noite para o dia com Childe Harold, refletindo algo do desencanto pela fama e do seu remorso por conta das relações incestuosas com sua meia-irmã, Augusta Leigh, que foi, de certa forma, um dos grandes amores da sua vida.

Em Giaur, o que surpreende é o aspecto narrativo, bastante fluido, como se transcorressem lapsos, momentos, visões distintas no tempo sobre o mesmo tema, a partir de distintas perspectivas, em uma estrutura fragmentada. Um experimento precursor do que se poderia chamar de fluxo de consciência grosso modo, e que nunca mais se repetiria noutra obra do autor. Ora fala um pescador, ora o narrador, outrora o próprio giaur; assim o poema desenvolve-se e sua trama é apresentada paulatinamente.

A história trata de um costume habitual naquelas regiões do oriente à época, que era amarrar mulheres adúlteras em um saco e jogá-las para que morressem afogadas no rio. Assim Hassan fez com Leila, a amada a qual o Giaur não conseguiu salvar, embora tenha conseguido vingar-se de Hassan, matando-o e tomando votos de monge em sequência devido a seu remorso. Diga-se de passagem, outra Leila apareceria em Don Juan, a qual seria salva da morte em um cenário de morticínio em meio à guerra, talvez para compensar essa que o Giaur não apenas foi incapaz de salvar, mas que ele mesmo levou à perdição.

Tendo sido elaborado a partir do material recolhido por Byron durante suas viagens para a Grécia e para a Albânia, há rumores que o próprio poeta tenha passado por uma situação como esta, não se sabe se ele sendo o culpado pela perdição da moça, mas de ter travado uma luta para salvar uma condenada à morte amarrada em um saco. Boatos dizem que conseguiu salvá-la graças à sua influência como cidadão inglês, porém nada disso pode ser afirmado com certeza.

O poema é integralmente composto por tetrâmetros iâmbicos, rimados em dísticos, que foram traduzidos por decassílabos, versos mais extensos que o original, e sem as rimas. O conteúdo, entretanto, foi traduzido fielmente, na medida do possível.

A primeira versão do poema original foi publicada em 1813, como dito, com 700 versos e, após um ano, em que foram publicadas outras 14 reedições, outros tantos versos foram incluídos por Byron, totalizando a versão final de 1300 versos. A edição exata traduzida pelo Barão em sua mocidade na Faculdade de Direito de São Paulo, e publicada muito tempo depois, em 1904, não se sabe precisar aqui.

Outra curiosidade ainda vale ser mencionada neste ponto: alguns versos do Giaur foram publicados no segundo número da famosa ‘Revista Nitheroy’, de 1836, que inaugurava o Romantismo brasileiro, e já trazia Byron como um dos principais representantes do movimento.

Finalmente, resta dizer que nesta obra aparece mencionado de relance, pela primeira vez na literatura, o tema do Vampiro, que seria a punição para o Giaur após sua vingança, condenado a vagar como Caim; tema que seria novamente esboçado por Byron em seu Fragmento a respeito de Augustus Darvell, iniciado por sugestão da competição de contos de terror na Villa Diodati, na Suíça, com os Shelleys, e abandonada a seguir pelo poeta. Tais histórias seriam retomadas pelo jovem médico, John Polidori, que escreveria seu Vampiro, a primeira obra literária especificamente a respeito do tema, que tem seu personagem principal, Lord Ruthven, baseado na figura de Byron, e inspiraria, décadas depois, o próprio Dracula de Bram Stoker. Polidori, ademais, colheria quase nenhum benefício por sua associação com Byron e com esse tema, quer financeira ou publicamente, e se suicidaria pouco tempo depois.

Lembre-se que esse Fragmento encontra-se publicado conjuntamente à obra Mazeppa, lançado há pouco por esta mesma casa editorial, em celebração ao bicentenário de Lord Byron.

 

 

Lucas Zaparolli de Agustini,

31 de outubro de 2023



Tradução de João Cardoso de Meneses e Sousa (Barão de Paranapiacaba)

Especificações técnicas

60 páginas

ISBN 978-85-69199-26-7

Medidas

16X23 cm

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